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Escrever monografias e artigos científicos

Escrever bem é fundamental. Ao contrário do que alguns parecem pensar, os documentos escritos são lidos e são importantes. Se seu trabalho é interessante, de alguma forma você deverá explicá-lo, seja através de comentários no código fonte, por e-mail ou em uma monografia. Mais importante ainda numa abordagem científica, ao meu olhar, o simples fato de (tentar de) colocar as idéias pela escrita obriga-nos a formatá-las, o que leva automaticamente a obter a distância crítica necessária para avaliá-las. É muito fácil viajar e fantasiar. Escrevendo-se as coisas, se enxerga muito mais o que vai sobrar.

Por isso, aqui vai a primeira dica: escrever sempre e de forma contínua, desde o início do trabalho. Nessa fase, qualquer arquivo txt ou blog serve, trata-se mais de anotações pessoais para manter um relato de suas idéias e de suas evoluções. É muito difícil, depois de digamos um ano de TC, sentar e escrever 80 páginas de uma vez. É muito mais fácil juntar o material acumulado, tendo apenas que filtrá-lo, quando se escreveu anotações desde o início.

O Norte, o Sul, o Leste e o Oeste: o plano

Escrever oitenta páginas o preocupa? Pois não é difícil, pelo menos para um assunto científico. A segunda dica, fundamental, é que não se escreve tal documento começando pela página 1 da introdução, para terminar 2 meses depois na página 80. A abordagem é “top-down”: começa-se pelo plano. O plano é o fio diretor e deve ser montado indo do geral para o particular, numa estrutura hierárquica:

  1. Qual é a idéia principal, a contribuição, o recado? Isso deve se traduzir pelo título. Para obtê-lo, jogue as palavras chaves no papel, tente combinações até achar a fórmula mágica.
  2. Obtido o título, pense nos capítulos. Você vai dever contextualizar e escrever o material necessário ao entendimento de suas contribuições. Em geral, isso leva a criar um ou dois capítulos. Sua proposta merece pelo menos um ou dois capítulos também, por exemplo, para detalhar o projeto e depois a implementação. Por fim, não basta dizer que você projetou um chip revolucionário ou inventou uma estrutura de dados que possibilita qualquer acesso em tempo constante, sem prover argumentos para validar essa pretensão. Ou seja, deverá ter pelo menos mais um capítulo de avaliação de desempenho, ou de prova teórica da qualidade de sua proposta. Enfim, uma conclusão deverá sintetizar os avanços e listar as limitações a serem superadas em seu trabalho. (Ninguém irá acreditar que não tem limitação, então é melhor ser honesto nessa parte…)
  3. Cada capítulo deverá ser decomposto em seções. Cada seção deve ser relacionada à anterior e à posterior, através de transições lógicas. Nesse ponto, a palavra chave é coerência. O grande inimigo é a “concha de retalhos”: não se decompõe um capítulo em seções para nelas jogar qualquer coisa que pareça relevante. Pelo contrário, cada seção deve vir complementar a anterior, numa progressão que leve o leitor a entender sua abordagem e sua lógica. O capítulo deve começar com uma mini-introdução que deixe clara essa lógica interna. Ele deve se encerrar por uma pequena conclusão que o resume e encaminhe naturalmente o leitor a se motivar para o próximo capítulo.
  4. Cada seção deverá ser decomposta em sub-seções, ou pelo menos em parágrafos. O número de sub-(sub)*-seções depende basicamente da complexidade e da profundidade do assunto. Nem sempre é bom escrever um documento que vai até o nível 2.3.1.1 a) de detalhamento.

Chegado a este nível de detalhamento do plano, você deve conseguir projetar um certo número de páginas por (sub*)seção. Feito isso, você tem seu fio diretor pronto.

Veja bem que o trabalho sobre o plano é ortogonal à primeira dica (de escrever sempre). O plano é o esqueleto, a escrita contínua é a carne.

Pronto? Claro que não! O terceiro segredo é que um plano nunca é definitivo. Até você entregar a monografia, você sempre pode mudar tudo. Um plano é algo dinâmico – à medida que você escreve o conteúdo, você irá se dar conta que tal seção, afinal, não se sustenta sozinha. Que faltou apresentar outra noção. Ou então, você esperava obter um resultado que não saiu por falta de tempo. Eu sempre conto a meus alunos que, ao escrever minha tese de doutorado, eu entrava num deadlock ao dever escrever o quinto capítulo. Um dia, meu orientador riscou o capítulo de meu plano, e o transformou na última sub-seção do capítulo anterior. Escrevi-a em duas horas, e a tese ficou perfeita.

Ou seja, o plano é sua bússola, que deve ser seguida. Mas regularmente (toda semana?), se deve fazer o ponto e ver se o plano não deve ser revisado.

Nessas revisões regulares, a pergunta central a se fazer novamente é se o recado geral, a idéia principal, continua sendo igual. Na pesquisa, é muito freqüente que se comece a estudar alguma coisa para chegar a um resultado totalmente diferente no fim (problema do alvo mudando). Faz parte, é até empolgante, mas na hora de sintetizar suas idéias em um documento, o mesmo deve ser coerente e não pode mudar entre seu início e seu fim. Boa parte do trabalho da escrita consiste exatamente em formatar essa coerência entre coisas que nem sempre funcionaram em linha reta.

Nessa lógica, não estranhe se seu título muda nos últimos dias antes da entrega da monografia.

Dicas gerais

Aqui eu listei uma série de considerações que minha experiência mostra que acabam sendo úteis.