Poesias
Eu tenho
Calos
Agridoce
Primata
Vira-Latas
Propriedade
Privada
Arroio
Dilúvio - Número II
Aprendizado
O Poema
do Informata Apaixonado
Dispositivo
Nada a
Declarar
As Quatro
Estações
Eu nunca tive a pretensão
de ser poeta, simplesmente aconteceu.
Um belo dia eu estava escrevendo poesias. Ao menos era
esta a minha teoria, até que a minha mãe me lembrou que eu já escrevia algumas
rimas na época de guri. Recentemente eu li alguns
livros sobre aquisição da linguagem, e estes livros
diziam que existe uma época da vida das crianças em que elas começam a
descobrir a linguagem
"Minha teoria da
técnica, se tenho alguma, está muito longe de ser original; nem é uma teoria
complicada. Posso
exprimi-la em quinze palavras citando A Eterna
Pergunta e Imortal Resposta do teatro burlesco, i. é: "Você bateria em uma
pessoa com uma criança? -Não, eu lhe bateria com um
porrete". Como o comediante burlesco, sou extraordinariamente
apegado àquela precisão que cria o movimento."
e.e.cummings
De um modo geral, minha
poesia passa por esta tentativa de humor, pelo ritmo e pela malícia que tem as
crianças quando começam a descobrir a linguagem enquanto abstração. Coisa de moleque. Um bom exemplo desta molecagem é a poesia Agridoce,
que se equibra de modo precário entre e inocência e a malícia infantis.
Esta perplexidade infantil, de quem ainda está se acostumando ao mundo tal qual ele é pode também pode ser encontrada nas poesias
listadas a seguir.
Primata Vira-Latas, por
ver pessoas passando fome em nosso país tão rico (sim, o país é rico, a riqueza
é mal distribuída).
Propriedade Privada, por ver
que em um país com
Arroio
dilúvio - Número II, por ver o descaso que fazemos
com a poluição que nós mesmos produzimos e que nos afeta diretamente no
dia-a-dia.
Aprendizado, pelo simples descobrimento e
redescobrimento da paixão.
Existem também algumas poesias que são
diretamente influenciadas pela minha profissão, e que para serem apreciadas na sua plenitude requerem um certo conhecimento de
algoritmos e teoria da complexidade,
Em 2003 eu submeti três
poesias de minha autoria para o concurso Poemas no Ônibus da secretaria de
cultura da cidade de
Eu tenho calos no cérebro,
lá naqueles neurônios que só ficam pensando em te ter.
E naquele nervo
que sente o teu cheiro
e vê o teu riso faceiro
quando me vê.
Eu tenho calos no cérebro de tanto pensar em
você!
Fique registrado:
Eu preferia um doce
Mas você me deu um salgado
Seja como for,
Não se deve reclamar
Daquilo que é dado
Com tanto amor
Gostaria que não fosse
Mas foi o que aconteceu
Eu queria comer aquele doce
Que ainda não é meu
Pois o doce que eu tanto desejo
Você ainda não me deu
Em meio a
gente-fina,
em meio a esta nata,
o que faço eu?
Eu,
que não tenho nenhuma raça,
que não pertenço a nenhuma casta?
Eu,
um reles primata vira-latas,
o que faço eu,
cachorro sem pedigree,
o que faço eu aqui?
Eu viro latas
a cata
do pão que ainda não comi!
Por que a terra tem dono,
Mas o céu não?
É porque no ar
Só se pode andar de avião.
Por que a terra tem dono,
Mas o mar não?
É porque na água
Não se pode fincar marcos,
Na água só se anda em barcos.
Se a terra tem dono,
E o céu e o mar não têm,
É porque alguém disse que era o dono
E os outros disseram amém.
Arroio dilúvio,
Riacho de correnteza lerda
Trancado de
É pena ver o rio que
A gente gosta
Atrasado de
Eu já estudei fisica quântica
E outras coisas que parecem
Não ter nexo
Mas uma coisa
ainda me deixa perplexo:
O sexo!!
Já estudei o Big-Bang
E as origens do
universo
Mas tem uma explosão
Que ainda me deixa pasmo:
O orgasmo!!!
Já entendi coisas
Que não esperava saber
Mas tem outras
A paixão!!!!
O Poema do Informata Apaixonado
Não sei se VOCE não sabe,
ou apenas finge,
mas VOCE é a esfinge
que eu tento decifrar:
abstrata como o ar
De todos os PROBLEMAS DE DECISAO
que habitam meu cérebro e meu coração
VOCE é meu problema predileto,
um problema NP-completo,
que eu abordo com heurística
para encontrar uma solução,
mas como VOCE é não-determinística,
às vezes te resolvo, outras não.
Fiquei muito surpreso quando te vi
Devo confessar que me surpreendi
É isto mesmo, fiquei surpreso
Quando vi você
Com aquele dispositivo
que se conecta na USB
Foi um momento inspirador
Tive um frêmito, quase um tremor
Ao te ver radiante, fora de si
Com aquele dispositivo
Que não era PCI
Cheguei a vislumbrar coisas
Que antes não poderia supor
Ao te ver com aquele dispositivo
Que parece um vibrador
Quando tua palavra fere
Ferina, feroz
eu calo a minha voz
e meu silêncio me protege deste algoz
Se tua palavra é uma arma
meu silêncio é um escudo
nada digo, fico mudo
ainda assim, digo tudo
Ainda que a vida viesse
em ciclos previsíveis, idiotas
como uma música techno
martelando sempre as mesmas notas
Ainda que as quatro estações nos tragam
primeiro melancias, depois bergamotas
primeiro o amor, depois lorotas
Ainda assim eu resisto
e o amor que te tenho
trago guardado em meu peito
feito compota
que em pleno janeiro
conserva o precioso cheiro
da bergamota
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Inácio Reis
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