d) Teclado O segundo maior elemento causador de desconforto é o teclado.
Diversos fatores são responsáveis por esses problemas. Entre eles:

i) Padrão - disposição das teclas

Os teclados de computadores herdaram a disposição das teclas das máquinas de escrever, assim como a bitola de trens herdou a bitola das carruagens romanas.
A disposição mais popular e hoje considerada padrão (ISO 9995) a partir de 1971, é a disposição chamada de QWERTY. Esta disposição foi inventada por Christopher Latham. Sholes, Glidden e Soule, em 1878, e usada em uma máquina de escrever da Remington. Na figura abaixo aparece a disposição das teclas, onde se observa na primeira linha à esquerda, as 6 primeiras letras são Q, W, E, R, T e Y, de onde se originou o nome para o teclado.

Figura 2 - Teclado QWERTY de um computadorTeclado QWERTY de computador


Figura 3 - Teclado QWERTY da máquina de escrever de SholesTeclado QWERTY da máquina de escrever


Figura 4 - A máquina de escrever de Sholes (1874)Máquina de escrever de Sholes
A disposição e posição das letras, no teclado QWERTY, causa algum tipo de desconforto, em especial dores no túnel carpal, pela posição angular com que as mãos trabalham sobre o teclado. Na figura abaixo, observa-se uma linha com um ângulo para fora, enquanto o ideal seria uma linha reta.

Figura 5 - ângulo do túnel carpal, que causa desconforto
Angulo do tunel carpal Em 1930 o Prof. August Dvorak propôs uma nova disposição das teclas, onde as vogais ficariam todas juntas na linha central (linha de descanso) à esquerda. Entretanto a iniciativa não obteve muito sucesso, e embora hoje exista lugares onde este lay-out é preferido, esta não é a situação da maioria dos países e comunidades.

Figura 6 - teclado tipo DVORAK (1932)
Teclado dvorak


Outras disposições vêm sendo tentadas e testadas recentemente. Entre elas o chamado teclado ajustável para um dedo (One-Finger).

Figura 7 - teclado ajustável para um dedo (One-Finger).
Teclado ajustavel para um dedo
Recentemente a Microsoft propôs um teclado dito ergonômico, conhecido como teclado natural Microsoft, mostrado na figura abaixo.

Figura 8 - Microsoft Natural Keyboard
Teclado Natural Microsoft
Em 1977 foi apresentado um outro lay-out, por Lilian G. Malt , denominado de MALTRON. A Idéia era criar um ângulo das mãos sobre o teclado, não somente de frente para o teclado, mas também uma pequena inclinação para as laterais.

Figura 9 - Foto do teclado Maltron


Figura 10 - Teclado Maltron


Recentemente apareceram algumas versões de teclado, com a disposição qwerty, mas com a inclinação similar ao Maltron, sendo chamados de dobráveis.

ii) inclinação


Desde os primeiros teclados das máquinas de escrever, se entendeu ser importante que as várias linhas de teclas estejam inclinadas em relação ao plano horizontal. Hoje a quase totalidade dos teclados possui pés ajustáveis para a regulagem da inclinação do teclado. O efeito positivo é a diminuição das dores nos pulsos, pois o ângulo que as mãos trabalham sobre o teclado fica mais adequado, quando o teclado está inclinado.

iii) bloco numérico


Quando se digita grande quantidade de números, ganha-se bastante em velocidade, quando junto ao teclado de letras e símbolos se tem o chamado bloco numéuzido. É um conjunto de teclas, dispostas de forma retangular (quase quadrada), com os 10 algarismos e geralmente o ponto decimal e um Enter/Return, entre outras adicionais.
Duas disposições têm sido usadas para este teclado. A mais freqüente é a disposição tipo máquina de calcular.

Figura 12 - teclado numérico tipo máquina de calcular x teclado numérico tipo telefone

iv) teclado em português x teclado português

A disposição das letras e dos números é relativamente constante em todos os teclados do padrão QWERTY. Porém os caracteres de pontuação e acentuação, têm diferentes posições dependendo do tipo de teclado. O teclado "em português", comercializado no Brasil, em geral, segue o lay-out desses caracteres, igual ao padrão ASCII americano, com poucas diferenças. Já o teclado "português", desenvolvido para ser comercializado em Portugal, contém praticamente os mesmos símbolos, só que em posições diferentes. Isto faz com que um usuário que esteja acostumado com o teclado "em português", se atrapalhe, toda vez que encontra em algum lugar um teclado com o teclado "português".

v) cor das teclas - cor das inscrições

Como a maioria dos usuários não teve algum tipo de treinamento em datilografia, estes não possuem a destreza de digitar sem olhar para o teclado. Assim sendo, a visibilidade das inscrições nas teclas, passa a ser um ponto importante.
Abaixo seguem algumas combinações (pela ordem de legibilidade e conforto de leitura), de cores para a tecla (fundo) e inscrição dos símbolos:

vi) tipo de tecnologia de contato do teclado

Inicialmente todos os teclados eram mecânicos, ou seja, ao acionar uma tecla, um contato é fechado, como se fosse um interruptor de campainha. O inconveniente desta tecnologia, é que com o tempo, os contatos ficam oxidados, dificultando o fechamento do contato elétrico.
Outras tecnologias apareceram, tentando resolver o problema, com maiores custos, e outras apareceram para diminuir os custos.
O teclado de membrana consiste em duas espirais entrelaçadas, mas que não se tocam. A tecla possui uma chapa metálica que quando pressionada faz um curto-circuito em algum ponto entre as duas espirais.
Dentre as tecnologias de maior custo e melhor confiabilidade estão

vii) sensibilidade das teclas

A sensibilidade das teclas tem muito a ver com a tecnologia do teclado. Existem teclados que fornecem o feedback de que a tecla foi efetivamente acionada (contato elétrico) por meio táctil, que é o mais indicado e eficiente para produtividade elevada. Outros fornecem este retorno através de ruído típico, causado pelo impacto dos dedos sobre a tecla. Outros ainda fornecem um bip sonoro, gerado eletronicamente, que na maioria dos casos prejudica a produtividade, pois o incômodo auditivo constante, causa sérios danos de irritabilidade ao usuário. Há ainda aqueles que nada fornecem, obrigando o usuário a conferir na tela, se a tecla foi efetivamente acionada ou não.

viii) altura sobre a mesa

O teclado deve ficar numa altura tal que os braços do usuário operem sobre o teclado, mantendo um ângulo de cerca de 90 graus entre braço e antebraço.

ix) destacável ou fixo

A maioria dos teclados é ligada ao computador através de um cabo flexível, permitindo que o usuário desloque o teclado para qualquer posição fora da mesa, ou lateralmente sobre a mesa. Há casos em que o teclado é incorporado ao computador, ou é fixado sobre a mesa (em laboratórios coletivos), para evitar que se remova (ou seja furtado) o mesmo. Nesses casos, na maioria das vezes, a postura adotada pelo usuário, não é ergonomicamente correta, causando desconforto principalmente nos pulsos, ombros e braços.

e) Cadeira

A cadeira é um dos elementos mais importantes da estação de trabalho, pois se inadequada, ou incretamente ajustada, pode ser a causadora de muitos desconfortos e doenças de postura.
A princípio qualquer tipo de cadeira, com rodas ou sem elas, estofada ou não, regulável ou não, poderia ser adequada, desde que satisfeitas algumas exigências.
Se possuir rodízios, deverá ser uma quantidade ímpar, pois sempre que a quantidade for par, haverá pares de rodas alinhadas segundo um mesmo eixo, e isso faz com que a cadeira possa capotar, no caso de encontrar algum obstáculo no chão, quando deslizar. Três rodas tem a melhor estabilidade quando parada, mas quando em movimento, pode pender para os lados ao menor desequilíbrio. Assim, a melhor alternativa é 5, 7, 9,... rodas, que por uma questão de custo, opta-se pela de 5 rodas.
A cadeira deve ter um encosto, regulável (preferencial) ou não, mas que tenha uma abertura entre ele e o assento (de pelo menos 10 cm), para que se acomode a região glútea quando sentado
A altura do assento, se for fixa, deve ficar entre 40 a 48 cm (média 43 cm), e se possível deveria ter uma regulagem de altura. A postura do usuário sentado, deve ser tal que, as pernas não fiquem "penduradas", ou flexionadas formando ângulo menor que 90 graus, principalmente se os joelhos encostarem na mesa.
As bordas do assento, devem ser arredondadas. O assento preferivelmente deve ser estofado, de material que não provoque suor no verão. Caso o encosto seja reclinável, esta inclinação não deve ser maior do que 15 graus. O mesmo ângulo vale para o assento, se este for reclinável.

Figura 13 - Cadeira típica


As cadeiras podem ter também descanso para os braços, de tal forma que os braços se apoiem na posição horizontal.

Figura 14 - descanso para os braços

f) Mesa

A mesa da estação de trabalho deve acomodar o teclado e o monitor. A caixa da UCP, pode ou não estar sobre a mesa. A mesa não deve ter partes inferiores, tais como gavetas e prateleiras, que impeçam o usuário de sentar em uma posição confortável.
A medida mais importante é a altura em que vai ficar o teclado, que varia conforme a estatura da pessoa, bem como da altura da cadeira. O plano sobre o qual estará o tecldado deve ficar a uma distância de 60 a 75 cm do chão. Para se saber a altura correta para cada pessoa, esta deve ficar sentada com os braços, na posição de digitação, de modo que se forme um ângulo de cerca de 90 graus, entre braço e antebraço.

Existe no mercado muitas mesas, em que o plano sobre o qual ficará o teclado, é separado e fica mais baixo do que plano do resto da mesa. Este tipo de mesa só é adequado se este plano do teclado for suficientemente grande, em largura e comprimento, para acomodar, além do teclado, espaço para o mouse, bem como lugar para acomodar o documento, ou suporte para tanto. A mesa deve ter também um espaço comodamente acessível para que o usuário possa escrever, fazer anotações, enquanto usa o terminal. A grande maioria das mesas, desse tipo que conheço, não atendem a estes requisitos. Assim sendo, é preferível ter uma mesa plana, com uma altura média entre a altura ideal do teclado( 68 a 72 cm) e a altura ideal para escrita (71 a 74 cm), ficando sua altura em torno de 70 cm do chão.

g) Ambiente

Diversos estudos já comprovaram que a produtividade e conforto no trabalho, são diretamente influenciados pelos componentes do ambiente de trabalho.

Fatores como a temperatura e umidade relativa do ar, se estiverem dentro de uma faixa confortável, podem significar um aumento de produtividade de até 20%. A unidade relativa do ar ideal é exatamente 50%. A temperatura ideal, pode variar conforme a região. Para o Sul e Sudeste a temperatura ideal se situa entre 18 e 22 graus Celsius.

A altura do teto (pé direito) também tem influência no desempenho do trabalho. Um pé direito muito alto causa em algumas pessoas a sensação e vastidão, de imensidão, implicando em dispersão no trabalho. Por outro lado o pé direito muito baixo causa uma sensação de compressão, de sufocamento, que se reflete em ansiedade. O pé direito ideal se situa entre 2,50 m e 3,50 m.

As paredes próximas devem ter cores suaves e que tenham um coeficiente de refletância entre 0,7 e 0,9, ou seja, próximos do branco (1,0). O teto deve ter coeficiente de refletância entre 0,8 e 1,0, para maior reflexão e aproveitamento da luz. O chão, contrariamente, deve ter coeficiente de refletância entre 0,2 e 0,4, tendendo para uma cor escura.

A iluminação geral da sala deve ser tal que não gere reflexos sobre a tela, ou que ofusque os olhos do usuário. Também não deve ser escura, para não dificultar a adaptação do olho, ao cambiar os olhos da tela para o documento, e vice-versa. Como a iluminação geral não deve ser ofuscante (forte demais), às vezes é necessário uma iluminação extra ajustável, tipo um spot ou abajour, sobre a mesa, nunca direcionado para tela, mas sim para o documento.

Com relação aos ruídos sonoros, sugere-se a adoção de um som ambiental, que consiste de um fundo musical suave, em volume bastante baixo, com a finalidade de abafar pequenos ruídos e penetrar no subconsciente como um elemento de descanso. Impressoras, copiadoras e outras máquinas que produzem ruídos, ainda que toleráveis, prejudicam o rendimento no trabalho.