
O Centro de Empreendimentos em Informática da UFRGS (CEI/UFRGS) participou do Deep Tech Summit 2026, encontro dedicado à inovação baseada em ciência e engenharia avançada e à aproximação entre startups, pesquisadores, investidores, empresas, governos e demais atores envolvidos no desenvolvimento de tecnologias de fronteira.
Representado pela diretora do CEI, professora Érika Cota, o Centro acompanhou a programação e realizou interlocuções com atores e parceiros presentes no evento. A participação integrou as ações de aproximação da incubadora com ambientes especializados no desenvolvimento de deep techs e de acompanhamento de práticas, oportunidades e desafios relacionados à transformação de conhecimento científico em inovação.
A programação do Deep Tech Summit colocou em discussão temas diretamente relacionados aos desafios enfrentados por empreendimentos intensivos em conhecimento: desenvolvimento de tecnologias avançadas, infraestrutura para inovação, acesso a capital, aproximação com empresas, pesquisa e desenvolvimento, formação de redes e criação de condições para que tecnologias originadas em ambientes científicos alcancem aplicações concretas.
Para uma incubadora universitária, essa agenda possui relevância particular. Deep techs apresentam características que diferenciam sua trajetória de desenvolvimento daquela observada em negócios baseados predominantemente em modelos digitais ou tecnologias já consolidadas. Em geral, envolvem maior intensidade científica e tecnológica, ciclos mais longos de desenvolvimento, necessidade de infraestrutura especializada, validações técnicas sucessivas e diferentes estratégias de financiamento e inserção no mercado.
A participação no Summit permitiu acompanhar como esses desafios vêm sendo tratados por diferentes agentes do ecossistema e ampliar o repertório institucional do CEI para o desenvolvimento de sua própria atuação junto a empreendimentos dessa natureza.
Além dos conteúdos técnicos, o evento proporcionou oportunidades de interação com representantes de organizações que atuam no ecossistema de ciência, tecnologia, investimento e empreendedorismo. Essas aproximações são relevantes para ampliar a rede institucional disponível aos empreendimentos apoiados e identificar possibilidades futuras de cooperação, acesso a competências, desenvolvimento tecnológico, inserção em redes especializadas e aproximação com fontes de capital.
Para o CEI, a construção de uma rede voltada às necessidades específicas de deep techs constitui parte do esforço de qualificação de sua atuação. O desenvolvimento desses empreendimentos demanda articulação entre diferentes competências e instituições, envolvendo pesquisadores, universidades, empresas, investidores, ambientes de inovação, organizações públicas e especialistas em temas como propriedade intelectual, transferência de tecnologia e acesso a mercado.
A participação no Deep Tech Summit reforçou alguns elementos relevantes para a estratégia de desenvolvimento da incubadora.
O primeiro é a importância de compreender o desenvolvimento de deep techs como uma trajetória própria. A maturidade tecnológica precisa avançar em diálogo com evidências de mercado, capacidade empreendedora, recursos financeiros e estratégias de proteção, transferência ou exploração da tecnologia.
O segundo é o papel das conexões. Tecnologias de fronteira dificilmente percorrem sozinhas o caminho entre pesquisa e aplicação. Redes qualificadas tornam-se parte da infraestrutura necessária para que esses projetos encontrem conhecimento complementar, parceiros, capital e oportunidades de validação.
O terceiro está relacionado ao papel das universidades. A proximidade com ambientes de pesquisa e formação avançada cria condições relevantes para o surgimento de novos empreendimentos tecnológicos, mas transformar esse potencial em inovação demanda mecanismos capazes de aproximar ciência, empreendedorismo e mercado.
Essas questões dialogam diretamente com o contexto do CEI, vinculado ao Instituto de Informática da UFRGS e inserido em um ambiente de pesquisa e formação avançada em Computação.