O Instituto de Informática (INF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participou da realização do InovaEduBR Summit 2026, evento nacional dedicado à discussão de tecnologias emergentes e ao desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios da educação brasileira. Realizado entre os dias 5 e 7 de agosto, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, o encontro reuniu , presencialmente e online, aproximando pesquisadores, estudantes, educadores, representantes do setor produtivo e instituições de ensino.
A iniciativa foi promovida pela UFRGS por meio de uma parceria entre o Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED), o Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação (PPGIE) e o Instituto de Informática (INF). A coordenação foi do professor Dante Augusto Barone (UFRGS), com co-coordenação do pesquisador Wilk Oliveira (Tampere University, Finlândia).
Ao longo dos três dias, o Summit abordou diferentes dimensões da incorporação da Inteligência Artificial (IA) aos processos educacionais. Entre os temas discutidos estiveram IA generativa, Agentic AI, aprendizagem significativa, competências em IA para educadores, pensamento computacional, gamificação, diversidade e uso responsável de sistemas de IA.
A discussão científica parte de um cenário em que ferramentas de IA passam a participar de atividades tradicionalmente associadas ao trabalho humano, como produção e avaliação de textos, tutoria, geração de conteúdos e apoio à resolução de problemas. Nesse contexto, o desafio não se limita à adoção de novas ferramentas, mas envolve compreender como essas tecnologias modificam processos de ensino e aprendizagem, quais competências precisam ser desenvolvidas e quais critérios devem orientar seu uso em ambientes educacionais.
Entre as atividades do evento esteve a palestra “Inovação Educacional: Usando IA Generativa para Fomentar a Produtividade”, ministrada pela professora Raquel Salcedo Gomes (UFRGS), além da sessão “Agentic AI na Educação”, conduzida pela professora Rosa Vicari (UFRGS). A programação também contou com a palestra internacional “Artificial Intelligence and Meaningful Learning: Transforming University Teaching”, apresentada por José Alberto Benítez-Andrades, da University of León, na Espanha.
A relação entre inovação tecnológica e responsabilidade também esteve entre os eixos do encontro. O “Referencial para o Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação” foi discutido por Silvio Cazella (UFCSPA) e Aline Andreica (Universidade Babes-Bolyai, Romênia). O tema também apareceu no debate sobre IA generativa na educação, que contou com a participação de Dante Barone, Cristiano Galafassi (Unipampa) e Rodrigo Malossi (Widelabs).
Um dos destaques da programação foi a realização dos Doctoral Consortium e Master Consortium, voltados à formação e mentoria de estudantes de pós-graduação. As atividades foram organizadas em etapas que envolveram dinâmica de grupo, apresentação dos projetos, discussão de perspectivas futuras e elaboração de novos planos de pesquisa.
A proposta permitiu que mestrandos e doutorandos apresentassem seus trabalhos a pesquisadores de diferentes instituições, recebendo orientações metodológicas e científicas para o desenvolvimento de suas pesquisas. Participaram da mentoria pesquisadores da UFOP, UFCSPA, Tampere University, UCB, UNESP e UEM.
A formação científica também esteve presente nos Pitches de Pesquisa, nos quais projetos foram apresentados para avaliação e discussão com especialistas. Esse formato aproxima a pesquisa acadêmica de processos de comunicação científica, avaliação por pares e identificação de potenciais aplicações dos resultados desenvolvidos.
A programação também buscou aproximar conhecimento científico e aplicação prática. Workshops abordaram desde o desenvolvimento de competências em IA para educadores até a construção de ferramentas computacionais e metodologias de planejamento.
Entre as atividades esteve o “Construindo um Tutor Virtual de Escrita (Do Pensamento Computacional ao Código)”, conduzido por Randerson Melville (PGIE/UFRGS). A atividade relacionou fundamentos de pensamento computacional ao desenvolvimento de uma aplicação voltada ao apoio à escrita.
Outro destaque foi o workshop “TransformaTEC: transformando pesquisas em modelos de negócio”, liderado por Roberta Rieffel (SEDETEC-UFRGS), que discutiu estratégias para transformar resultados de pesquisa em soluções capazes de alcançar outros contextos e usuários.
No encerramento, o Design Thinking Day levou os participantes a trabalhar sobre problemas concretos enfrentados por escolas e universidades. Dividida entre as etapas de criação colaborativa e apresentação de protótipos, a atividade reuniu equipes multidisciplinares para formular e apresentar possíveis soluções educacionais.
O encerramento do Summit contou ainda com a premiação dos destaques da Sessão de Pitches de Pesquisa. O primeiro lugar foi concedido ao projeto “NewsTrust: Uma Ferramenta Computacional para Suporte à Alfabetização Midiática e ao Desenvolvimento do Pensamento Crítico na Educação”, de João Vitor Prestes Grando e Arthur Marques de Oliveira.
O segundo lugar ficou com “Uso de GPT personalizado no ensino de projeto em Arquitetura e Urbanismo: relato de experiência pedagógica com IA generativa”, de Grace Tibério Cardoso e Manoela Peruzzo da Silva.
Já o terceiro lugar foi para “ETNOBÓTICOS: História, Cultura, Ancestralidade e Tecnologia”, de Camila dos Reis, Giovanna R. Coitinho, Marcio L. Q. Rodrigues, Mônica dos S. Abreu e Patrícia B. da Rosa.
Também receberam Menções Honrosas os trabalhos Cultura maker na Educação de Jovens e Adultos, Blocos lógicos e Pensamento Computacional, Hipótese de interferência por bots e ClassBuddy.
Os projetos premiados evidenciam a diversidade das pesquisas relacionadas à tecnologia educacional, contemplando problemas como alfabetização midiática, desenvolvimento do pensamento crítico, uso de modelos de linguagem em práticas pedagógicas, integração entre tecnologia e conhecimentos culturais e aplicação de recursos computacionais em diferentes contextos educacionais.
Além das atividades científicas, o InovaEduBR também promoveu experiências de extensão e formação prática. Uma equipe formada por 10 estudantes de graduação em Ciência da Computação da UFRGS participou da organização, logística e recepção do evento, aproximando os estudantes das diferentes etapas de realização de uma iniciativa científica e tecnológica e do contato direto com pesquisadores e representantes da sociedade.
A realização do Summit reforça, assim, a importância da integração entre pesquisa, formação acadêmica, desenvolvimento tecnológico e demandas concretas da educação. Ao reunir diferentes áreas do conhecimento e setores da sociedade, o evento criou um espaço para discutir não apenas as possibilidades oferecidas pela Inteligência Artificial, mas também os desafios científicos, pedagógicos, éticos e sociais associados à sua incorporação aos processos educacionais.
O InovaEduBR é um evento de abrangência nacional voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios reais da educação brasileira, combinando atividades de mentoria, apresentações científicas e práticas colaborativas.