A Força-Tarefa de Engenharia da Internet (a IETF) é um órgão internacional de desenvolvimento e padronização de normas técnicas para a Internet, as chamadas RFCs. Participam dos encontros da IETF plataformas do setor de tecnologia, como Google e Apple; fabricantes de equipamentos de redes, como Cisco e Huawei; assim como outras entidades de infraestrutura da Internet, instituições de pesquisa e governança e membros da sociedade civil. Nesses encontros, são discutidos os trabalhos em andamento dentro dos grupos que compõem a IETF, abrangendo os mais diversos tópicos de infraestrutura e funcionamento da Internet. O 125º encontro da IETF aconteceu em Shenzhen, na China, de 14 a 20 de março, com a participação de uma delegação brasileira em diversos grupos da organização.
A participação do Instituto de Informática faz parte de um projeto do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) para fomentar a participação de pesquisadores brasileiros nas reuniões da IETF. Participaram da IETF 125 o professor Jéferson Nobre, atual co-chair do Network Management Research Group (NMRG); o professor e pós-doutorando Leandro Bertholdo, com a apresentação “Constraint-Driven Architecture for Interdomain Intent Handling”; a aluna de doutorado do PPGC Laura Soares, com a apresentação “Future Research Directions on Energy-Aware Security Mechanisms”; e a mestranda do PPGC Roberta Robert, com a apresentação “Security Challenges and Misconceptions into the Internet of AI”. A inclusão do Brasil em organizações como a IETF é fundamental para a soberania digital, pois atualmente existe uma predominância da representação de entidades europeias, asiáticas e norte-americanas nos espaços internacionais de discussão. Nesse contexto, aspectos operacionais da Internet particulares ao Brasil e à América Latina podem passar despercebidos durante a elaboração de futuros padrões da Internet.
Roberta Robert
Um dos destaques dessa edição foram os avanços de ferramentas de Inteligência Artificial, os chamados agentes de IA. Cada vez mais, agentes são colocados em funções críticas na operação de redes, e cabe a órgãos de padronização, como a IETF, garantir que seu uso não trará riscos ao funcionamento normal da Internet. Além de tópicos emergentes, os grupos de trabalho também se concentram na manutenção e atualização de protocolos já operacionais na Internet — alguns dos mais conhecidos, como, por exemplo, DNS, OAuth, TLS e TCP, possuem grupos de trabalho próprios dedicados ao seu funcionamento. Os resultados das discussões são documentos chamados Internet drafts, nos quais aspectos técnicos e de implementação passam por várias etapas de revisão até estarem prontos para publicação na forma de RFCs — os blocos de construção da Internet mundial.