Dois doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Computação (PPGC) do Instituto de Informática (INF) da UFRGS integram a missão científica internacional do Programa Brasil–China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, iniciativa da CAPES em parceria com a Universidade de Beihang. A missão teve início em 8 de julho e seguirá até 8 de agosto de 2026, reunindo pesquisadores brasileiros em uma intensa programação de pesquisa, intercâmbio acadêmico e colaboração internacional.
Os doutorandos João Gross, orientado pelo professor Cláudio Geyer, e Gustavo Ribeiro Kremer, orientado pelo professor Joel Carbonera, foram selecionados para representar o PPGC na iniciativa. Eles integram a delegação da UFRGS composta por oito estudantes de mestrado e doutorado, incluindo seis pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto (PPGSR).
Na UFRGS, o projeto é coordenado pelo professor Felipe Geremia Nievinski, do PPGSR. No âmbito do PPGC, a seleção dos estudantes foi organizada pelo professor Nicolas Maillard.
A missão faz parte da primeira parceria em nível federal estabelecida entre a CAPES e uma universidade chinesa voltada ao fortalecimento da cooperação científica e tecnológica entre Brasil e China. O programa busca promover o intercâmbio de jovens pesquisadores, ampliar a internacionalização da pós-graduação brasileira e incentivar o desenvolvimento de projetos conjuntos em áreas estratégicas para a inovação científica.
Durante os 30 dias de intercâmbio, as atividades ocorrerão no Hangzhou International Campus da Universidade de Beihang, inaugurado em 2023 na cidade de Hangzhou. Os pesquisadores participarão de palestras, seminários, apresentações de trabalhos, fóruns de discussão, visitas técnicas a empresas, atividades de pesquisa colaborativa e ações de intercâmbio cultural.
Campus da Universidade de Beihang, China
Os estudantes da UFRGS desenvolverão atividades em temas considerados estratégicos para a ciência e a tecnologia, entre eles:
Além da programação acadêmica, os participantes terão aulas sobre história e cultura chinesa e momentos destinados à integração e ao conhecimento da região de Hangzhou.
A expectativa é que a missão fortaleça a colaboração entre grupos de pesquisa brasileiros e chineses, resultando em novos projetos científicos, publicações conjuntas e oportunidades futuras de mobilidade para estudantes de mestrado e doutorado.
Entenda as áreas de pesquisa da missão
A missão científica reúne pesquisadores que atuam em algumas das principais frentes da pesquisa mundial em Inteligência Artificial e Computação Avançada. Os temas desenvolvidos pelos estudantes da UFRGS possuem aplicações em setores como saúde, cidades inteligentes, indústria, robótica, segurança cibernética, mobilidade, ciência de dados e computação científica.
Os modelos de IA de grande escala (Large AI Models) representam a evolução dos sistemas capazes de aprender a partir de enormes volumes de dados e realizar tarefas complexas, como compreensão de linguagem natural, geração de imagens, programação e tomada de decisão. Atualmente, uma das principais tendências da área é o desenvolvimento de agentes inteligentes, sistemas capazes de planejar ações, utilizar diferentes ferramentas, colaborar com outros agentes e executar tarefas de forma autônoma para atingir objetivos específicos. Essa abordagem amplia significativamente as possibilidades de aplicação da IA em pesquisa científica, engenharia e automação.
Sistemas autônomos são capazes de perceber o ambiente, interpretar informações, tomar decisões e agir com pouca ou nenhuma intervenção humana. Essa tecnologia está presente em veículos autônomos, drones, robôs industriais, monitoramento ambiental e sistemas inteligentes de apoio à decisão. Um dos principais desafios científicos da área é desenvolver algoritmos que sejam seguros, confiáveis e capazes de operar em ambientes dinâmicos e imprevisíveis.
A Computação de Alto Desempenho (High Performance Computing – HPC) utiliza supercomputadores e grandes infraestruturas computacionais para resolver problemas que seriam inviáveis em computadores convencionais. A tecnologia é essencial para o treinamento de modelos avançados de IA, simulações climáticas, descoberta de novos medicamentos, estudos genômicos, física de partículas, modelagem de materiais e diversas aplicações científicas que exigem enorme capacidade de processamento.
Um dos focos atuais de pesquisa é a orquestração de HPC, que busca distribuir automaticamente tarefas entre milhares de processadores e aceleradores, aumentando a eficiência, reduzindo o consumo energético e otimizando o uso dos recursos computacionais.
Esses modelos analisam como pessoas, veículos ou outros elementos se movimentam ao longo do espaço e do tempo. A combinação de Inteligência Artificial com dados geográficos permite compreender padrões de mobilidade, prever deslocamentos, identificar mudanças ambientais e apoiar o planejamento urbano, a gestão de desastres, a logística e a saúde pública. O desafio científico consiste em integrar diferentes fontes de dados — como imagens de satélite, sensores, dispositivos móveis e registros históricos — para produzir previsões mais precisas.
A visão computacional desenvolve algoritmos capazes de interpretar automaticamente imagens e vídeos. Em larga escala, esses sistemas processam milhões de imagens provenientes de câmeras, satélites, equipamentos médicos ou ambientes industriais para reconhecer objetos, detectar mudanças e identificar padrões.
As aplicações incluem diagnóstico médico assistido por IA, monitoramento agrícola, inspeção industrial, veículos autônomos, segurança, cidades inteligentes e observação da Terra. O crescimento de grandes modelos multimodais também tem ampliado a capacidade desses sistemas de combinar imagens, texto e outros tipos de informação para resolver problemas cada vez mais complexos.