A Universidade Federal do Rio Grande do Sul passou a integrar a Rede de Excelência em Cibersegurança da América Latina e do Caribe (Red Ciberlac), ampliando o alcance internacional do Instituto de Informática (INF) no campo da cibersegurança. A adesão coloca o INF ao lado de instituições de referência de doze países em uma das mais relevantes iniciativas acadêmicas regionais da área.
A Rede Ciberlac foi criada em 2021 com o suporte institucional e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e tem como missão reduzir o vasto déficit de profissionais qualificados em cibersegurança na região. O diagnóstico que motivou sua criação é alarmante: estima-se que existam mais de 348 mil vagas abertas sem profissionais habilitados apenas na América Latina e no Caribe, parte de um déficit global que ultrapassa 4 milhões de pessoas — mesmo depois de anos de crescimento do setor.
A entrada acontece em um momento de expansão acelerada da rede: a Ciberlac conta hoje com mais de 25 instituições e já realizou eventos de capacitação, escolas de verão e a publicação de uma pós-graduação em Cibersegurança de uso livre, desenvolvida em parceria com a Universidade Carlos III de Madrid com contribuições de 68 instituições. No INF, os representantes da Ciberlac serão os Professores Jéferson Campos Nobre e Weverton Cordeiro.
Para o INF, a participação representa uma oportunidade estratégica de inserção em uma rede que mobiliza recursos, competências e infraestrutura que nenhuma instituição poderia desenvolver isoladamente. No plano estudantil, os alunos de graduação e pós-graduação terão acesso a competições como a Ciberlac Challenge, um evento de Capture the Flag (CTF) com desafios em categorias como web, forense digital, criptografia e engenharia reversa, e a escolas de verão, sendo que a edição 2026 será realizada no Brasil, marcando um passo simbólico de consolidação da presença brasileira na iniciativa. Tais eventos são portas de entrada para o mercado de segurança ofensiva e defensiva com visibilidade internacional. Já para os docentes, a rede oferece um canal privilegiado de mobilidade acadêmica e colaboração em pesquisa.
Cenário global
O cenário de ameaças que motiva essa mobilização é concreto e crescente. Segundo levantamento do FortiGuard Labs, laboratório de inteligência de ameaças da Fortinet, a América Latina e o Caribe sofreram mais de 360 bilhões de tentativas de ciberataques em 2022, com o Brasil figurando entre os países mais visados da região, atrás apenas do México (Fortinet, 2023). Em análises posteriores, a região passou a representar parcela significativa dos incidentes globais monitorados pela empresa, evidenciando o aumento contínuo da exposição latino-americana às ameaças cibernéticas (Telesíntese, 2023).
Nesse contexto, universidades com capacidade de pesquisa e formação como a UFRGS deixam de ser apenas produtoras de conhecimento e passam a ser parceiras estratégicas do Estado e da sociedade na construção de resiliência digital. Aos estudantes que hoje constroem trajetórias no INF, aconselhamos que considerem o campo, um dos com maior demanda de talentos no mundo, e salários e oportunidades de carreira muito acima da média do setor de tecnologia.
Referências
FORTINET. Fortinet relata que a América Latina foi alvo de mais de 360 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2022. Sunnyvale, 27 fev. 2023. Disponível em: https://www.fortinet.com/br/corporate/about-us/newsroom/press-releases/2023/fortiguard-labs-reports-destructive-wiper-malware-increases-over-50-percent?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 13 mai. 2026.
TELESÍNTESE. Teles da América Latina já foram alvo de 3,1 bilhões ataques cibernéticos em 2023. Brasília, 6 set. 2023. Disponível em: https://telesintese.com.br/teles-ja-receberam-31-bilhoes-de-ataques-ciberneticos-na-america-latina-em-2023/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 13 maio 2026.