O Instituto de Informática (INF/UFRGS) será sede, entre os dias 19 e 21 de outubro de 2026, da 8th IEEE CASS/SPS Seasonal School on Digital Processing of Visual Signals and Applications (DPVSA). A escola internacional reunirá estudantes, pesquisadores, professores e profissionais para discutir avanços, desafios e aplicações do processamento digital de sinais visuais, área que está na base de diversas tecnologias contemporâneas de visão computacional, inteligência artificial, comunicação multimídia e sistemas inteligentes.
Promovida com o apoio da IEEE Circuits and Systems Society (CASS) e da IEEE Signal Processing Society (SPS), a DPVSA tem como proposta criar um espaço de intercâmbio científico e discussão sobre os desafios atuais e futuros relacionados ao processamento de sinais visuais.
A edição de 2026 será realizada presencialmente no INF e terá organização geral dos professores Cláudio Diniz e Mateus Grellert. O evento conta ainda com o apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), além de apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).
A quantidade de imagens e vídeos produzidos e transmitidos diariamente vem crescendo de forma acelerada, impulsionada pela popularização de smartphones, câmeras digitais, sensores, sistemas de monitoramento e dispositivos conectados. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de redes de comunicação e de plataformas computacionais de alto desempenho ampliou a capacidade de armazenar, transmitir e analisar esses dados.
Esse cenário cria oportunidades para novas aplicações, mas também traz desafios científicos e tecnológicos. Sistemas computacionais precisam ser capazes de extrair informações relevantes, reconhecer padrões, identificar objetos, compreender cenas e tomar decisões a partir de dados visuais, muitas vezes em tempo real.
Nesse contexto, o processamento digital de sinais visuais envolve um conjunto amplo de técnicas destinadas a transformar dados brutos provenientes de imagens e vídeos em informações que possam ser utilizadas por sistemas computacionais. Entre os problemas estudados estão a aquisição e o processamento de imagens, segmentação, extração de características, localização e mapeamento simultâneos, detecção de objetos em três dimensões, compressão e codificação de imagens e vídeos e o desenvolvimento de algoritmos e arquiteturas eficientes para processamento visual.
Um dos principais desafios está justamente em conciliar qualidade, precisão e eficiência computacional. Imagens e vídeos possuem grande volume de dados, o que exige métodos capazes de processá-los com rapidez sem comprometer a qualidade das informações extraídas. Em aplicações embarcadas ou sistemas que precisam responder em tempo real, como veículos autônomos, robôs e dispositivos móveis, limitações de processamento, memória, energia e comunicação tornam esse problema ainda mais complexo.
A evolução da Inteligência Artificial, especialmente das técnicas de aprendizado de máquina e aprendizado profundo, trouxe novas possibilidades para a análise automática de sinais visuais. Ao mesmo tempo, aumentou a necessidade de desenvolver métodos mais eficientes, robustos e confiáveis, capazes de operar diante de mudanças de iluminação, ruídos, diferentes perspectivas, oclusões e grande diversidade de ambientes.
Em relação a esses desafios, podem ser elaboradas ações com aplicação em diferentes áreas. Na saúde, o processamento de imagens médicas e a telemedicina podem apoiar a análise de exames e a identificação de alterações que auxiliem profissionais em processos de diagnóstico e acompanhamento de pacientes.
Na robótica e nos veículos autônomos, a interpretação do ambiente por meio de câmeras e outros sensores é fundamental para tarefas como localização, navegação, reconhecimento de obstáculos e planejamento de movimentos. Tecnologias de processamento visual também estão presentes em sistemas avançados de assistência ao motorista, contribuindo para o desenvolvimento de soluções voltadas à segurança e à automação do transporte.
Na agricultura, imagens obtidas por câmeras, drones e outros dispositivos podem ser utilizadas para monitorar plantações, identificar padrões e apoiar decisões relacionadas ao manejo e à produtividade. O processamento visual também pode contribuir para o monitoramento ambiental e de processos industriais, permitindo acompanhar condições e detectar eventos de interesse de forma automatizada. Essas aplicações fazem parte do escopo tradicional da DPVSA, que reúne temas de processamento de imagens e vídeos e suas aplicações em saúde, robótica, veículos, agricultura e monitoramento.
Outra questão central é a necessidade de transmitir e armazenar grandes volumes de dados visuais. Técnicas de compressão e codificação de imagens e vídeos são fundamentais para tornar viável o compartilhamento desses conteúdos em redes de comunicação, serviços de streaming e sistemas distribuídos. Nesse caso, o desafio consiste em reduzir a quantidade de dados sem provocar perdas que comprometam a qualidade visual ou a utilidade das informações.
A integração entre algoritmos e hardware também assume papel importante. Sistemas de visão artificial que operam em drones, robôs, veículos ou dispositivos de borda precisam, muitas vezes, executar modelos complexos em equipamentos com recursos limitados. Por isso, pesquisas na área investigam arquiteturas e estratégias capazes de aumentar o desempenho e reduzir custos computacionais e energéticos.
Além das palestras com especialistas, a DPVSA 2026 também proporcionará espaço para a apresentação de trabalhos científicos na forma de pôsteres. A atividade permite que estudantes e pesquisadores apresentem resultados de suas pesquisas, recebam comentários de outros participantes e estabeleçam novas conexões acadêmicas.
A participação de estudantes de graduação e pós-graduação é uma característica importante da escola. A iniciativa das Seasonal Schools da IEEE CASS tem justamente entre seus objetivos oferecer a estudantes, pesquisadores em início de carreira e profissionais um espaço para compartilhar trabalhos, ampliar conhecimentos e colaborar com pesquisadores que atuam nas áreas selecionadas.
A trajetória da DPVSA também evidencia a consolidação da iniciativa no Brasil. A edição de 2025, realizada em Pelotas, reuniu estudantes, pesquisadores e profissionais da indústria para discutir desenvolvimentos em processamento visual, aprendizado de máquina e arquiteturas de hardware para codificação de vídeo e visão computacional.
Para o INF/UFRGS, sediar a escola representa uma oportunidade de fortalecer a interação com pesquisadores e instituições que atuam nacional e internacionalmente em processamento de sinais, visão computacional, inteligência artificial e sistemas computacionais.
Pesquisadores e estudantes interessados em apresentar seus trabalhos na DPVSA 2026 podem participar da chamada para submissão de pôsteres, que permanece aberta até 4 de setembro de 2026. As submissões devem ser realizadas por meio do site oficial do evento.
Informações sobre a programação, inscrições e demais atividades também serão divulgadas nos canais oficiais da escola.